Durante muito tempo se pensou que os casqueiros do litoral eram apenas um amontoado de conchas trazidas à costa pelas marés. Com a destruição de alguns deles para fins industriais e até para construção de estradas, descobriu-se que eram lugares arqueológicos, onde habitavam povos nômades que ali viveram em várias épocas.
As conchas dos moluscos eram abertas no fogo e abandonadas no local, acumulando-se ao longo do tempo. O consumo era tão grande que as conchas acabaram formando pequenas montanhas - chamadas sambaquis.Os sambaquis foram sendo construídos, em sucessivas camadas, por diversos grupos humanos que habitavam vários pontos do litoral brasileiro, especialmente no sul do país. Este tipo de vida, própria dos coletores de mariscos, foi encontrado não só no litoral sul e sudeste do Brasil, mas também, nos Estados Unidos, no Peru, no Chile e em regiões ao longo da Cordilheira dos Andes.
Os povos dos sambaquis viveram, principalmente entre 5000 e 2000 anos atrás. Foram desaparecendo quando começaram a ser desalojados pelas tribos de índios Tupi-Guarani, vindos do interior.
Quando morreu, entre 5 e 3 mil anos atrás, o dono deste crânio (Museu do Sambaqui, Santa Catarina) tinha entre 25 e 35 anos. Para os padrões da época era um ancião. Apesar da idade avançada, esse homo sapiens, do sambaqui da Enseada I, ainda conservava quase todos os dentes. Isto porque sua alimentação era muito saudável e rica em cálcio, graças aos peixes e moluscos que comia.
Crânio Sambaqui
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