quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Arqueólogos Acham Canhões na Zona Portuária


Uma equipe de arqueólogos do Museu Nacional descobriu na segunda-feira, na Zona Portuária, dois canhões que podem ser os mais antigos do Brasil. Os trabalhos, coordenados pela professora Tânia Andrade Lima, fazem parte do monitoramento arqueológico realizado no decorrer do projeto Porto Maravilha, de revitalização da Zona Portuária.
Os dois canhões, em princípio, são ingleses e do século 17. De acordo com Tânia, há a possibilidade, porém, de serem do século 16:
— Isso os tornaria, talvez, os mais antigos do Brasil. Com certeza são os mais antigos do Rio. Estávamos escavando os trapiches do século 19 que existem ao longo da Rua Sacadura Cabral e, inesperadamente, surgiram essas peças. Os equipamentos faziam parte de uma bateria de canhões que ficava ao longo da praia, no pé do Morro da Conceição.
Os armamentos teriam servido para defender as terras cariocas de invasões. Era, segundo a arqueóloga, parte de um sistema de defesa que funcionava ao longo da costa. Agora, os profissionais do Museu Nacional vão começar as análises técnicas para detalhar a história dos objetos.
A equipe é a mesma que, desde março de 2011, pesquisa o material arqueológico encontrado no Cais do Valongo, ali perto, ao longo da Avenida Barão de Tefé. Os pesquisadores já conseguiram retirar objetos que permitem remontar como era o cotidiano dos escravos que chegavam da África, como mera mercadoria, na primeira metade do século 19. Os materiais resgatados do solo mostram, sobretudo, como os negros tentavam proteger seus corpos diante do tratamento imposto por portugueses e ciganos especializados na compra e venda de escravos.

Depois das escavações, deve ser erguido no local um memorial da diáspora africana.

http://oglobo.globo.com/rio/arqueologos-acham-canhoes-de-pelo-menos-400-anos-na-zona-portuaria-3966243#ixzz1mZMVYDcL

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